Governo federal veta indicação de professora da USP à Comitê da OMS
Publicada em
04/10/22
Atualizada em
04/10/22 18h43m
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ANDES-SN solidariza-se com Deisy Ventura, que também já atuou na docência da UFSM
O governo do presidente Jair Bolsonaro boicotou a indicação de Deisy Ventura para compor o Comitê da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a revisão do regulamento sanitário internacional. A professora da Universidade de São Paulo (USP) teve atuação destacada durante a pandemia de Covid-19, contribuindo para a proteção social e foi convidada pela OMS para integrar o grupo que revisará as normas internacionais.
Deisy Ventura é docente titular de ética da Faculdade de Saúde Pública, da Universidade de São Paulo (USP), onde coordena o programa de pós-graduação em saúde global e sustentabilidade. Participa também do programa de pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP. Formada pela UFSM, Deisy também já foi docente da instituição.
Conforme divulgado pela coluna do jornalista Jamil Chade, no site Uol, a professora já havia sido entrevistada pela OMS e deveria participar da primeira reunião do Comitê em 6 de outubro. A submissão do nome de Ventura ao Ministério da Saúde brasileiro seria uma mera formalidade protocolar, uma vez que ela não atuaria em nome do Brasil e nem representaria o governo do país.
No entanto, de acordo com Chade, o secretariado da OMS foi obrigado cancelar nomeação da docente da USP diante da decisão do governo Bolsonaro de vetar seu nome para integrar a lista de especialistas que podem ser consultados pelo Regulamento Sanitário Internacional, o que a impede de compor o comitê do organismo internacional.
A Congregação da Faculdade de Saúde Pública da USP, em manifestação conjunta com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), denunciou o boicote imposto pelo Ministério da Saúde à indicação de Deisy Ventura.
De acordo com nota divulgada, as instituições manifestam repúdio à atuação do governo brasileiro que, agindo na contramão dos interesses de nosso país, recusa apoio à ilustre cientista, professora Deisy Ventura, para compor um dos mais importantes comitês técnicos da OMS.
“Ao se opor ao nome da pesquisadora, sem apresentar explicações, o Ministério da Saúde age de forma puramente ideológica, enquanto a OMS busca escolher entre as personalidades mais qualificadas por sua competência técnica”, afirmam as entidades.
Solidariedade do ANDES-SN
Na última segunda, 3 de outubro, a diretoria do ANDES-SN divulgou nota de solidariedade à docente e pesquisadora da USP. No trecho inicial do documento, o Sindicato Nacional destaca:
“A Diretoria do ANDES-SN solidariza-se com a professora e pesquisadora Deisy Ventura, pois o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, vetou, a indicação da renomada pesquisadora a compor um dos mais importantes comitês técnicos da Organização Mundial de Saúde (OMS), a fim de repensar e avaliar a reconstrução dos sistemas de emergências sanitárias no mundo. O seu trabalho reconhecido de seriedade técnica e profissional na área dos direitos sociais, da saúde, simboliza a responsabilidade da ciência, na proteção e existência da humanidade, dessa forma, o (des)governo ignorou e boicotou o nome da brasileira na composição deste referido comitê.”
Confira a íntegra do documento abaixo, em anexo.
Fonte: ANDES-SN
Imagem: Arquivo
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)
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Documentos
- Nota de solidariedade do ANDES-SN à professora Deisy Ventura