Sedufsm repudia fechamento da Biblioteca Setorial do Centro de Artes e Letras SVG: calendario Publicada em 23/11/23
SVG: atualizacao Atualizada em 23/11/23 17h08m
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Medida administrativa daquela Unidade será votada no Conselho Universitário da UFSM

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A diretoria da Sedufsm divulgou nota de repúdio contra o fechamento da Biblioteca Setorial do Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM. A medida administrativa, que ainda precisa ser votada pelo Conselho Universitário (Consu) da UFSM, é criticada pela seção sindical docente por “não considerar os aspectos pedagógicos envolvidos” e ainda “corrobora com uma visão de Universidade com a qual não coadunamos”.

As diretoras e os diretores da Sedufsm estão solicitando a docentes do CAL e à direção do Centro que revejam esse posicionamento. Da mesma forma também solicita às e aos integrantes do Conselho Universitário para que votem contrariamente à extinção da Biblioteca Setorial do CAL. A íntegra da nota de repúdio pode ser lida abaixo:

“NOTA DE REPÚDIO CONTRA O FECHAMENTO DA BIBLIOTECA SETORIAL DO CENTRO DE ARTES E LETRAS (CAL)

Como pode um Centro de formação na área da cultura abrir mão de um espaço pedagógico e cultural?

A Direção da Sedufsm vem a público manifestar o seu repúdio contra o fechamento da Biblioteca Setorial do Centro de Artes e Letras (CAL). Trata-se de uma decisão administrativa que não considera os aspectos pedagógicos envolvidos e corrobora com uma visão de Universidade com a qual não coadunamos.

No processo de reestruturação administrativa do CAL, que será votado no Conselho Universitário (Consu), consta a extinção da biblioteca e o envio do acervo para a Biblioteca Central. A justificativa é o espaço físico limitado onde o acervo se encontra, sem possibilidade de ampliação. Parece que o CAL esquece que é um centro de formação cultural e de docência e qual é o papel de uma biblioteca como espaço pedagógico e cultural. Ao invés de se investir em outro espaço, dentro do prédio principal do CAL ou nos seus anexos, elimina-se “o problema”, colocando os livros longe dos/as estudantes. Uma bela metáfora para um pensamento sobre que Universidade não queremos. Os livros agora são problema? Parece ilógico que uma Universidade e um Centro, sobretudo formador de docentes e artistas, pensem nos livros como mero objetos que ocupam espaço e que, portanto, podem estar em qualquer lugar.

Uma biblioteca setorial é um lugar diferenciado: é especializado em uma temática e, portanto, os/as profissionais que lá trabalham são profundos conhecedores/as do tema. Pesquisas apontam que uma biblioteca universitária não serve somente para organizar, administrar e automatizar o material bibliográfico, mas tem funções pedagógica e social para os/as estudantes. Ora, educar para ler é uma missão que requer esforço e que, portanto, os acervos têm de estar disponíveis, o espaço tem de ser qualificado, com profissionais que incentivem a leitura, que proponham ações para que o local seja entendido como lugar de convivência, de compartilhamento de saberes, como extensão da sala de aula. E, quando se fala em um espaço especializado, este trabalho é fortalecido, pois não é um local generalista – como no caso de uma biblioteca central. Há que se somar a todos os predicados à biblioteca como um lugar de práticas reflexivas, pessoais e compartilhadas, e que, em uma setorial, se faz com os seus pares. Afora o fato da contribuição de uma biblioteca setorial para a formação especializada nas áreas de Artes e Letras.

No entanto, a lógica da atual administração da UFSM – e parece que o CAL está alinhado a este pensamento – é que a solução dos problemas é sempre a extinção e não a luta por mais recursos, investimento, qualificação. Basta lembrarmos a reforma administrativa proposta pela Reitoria (ainda não aprovada) que extinguia coordenações e departamentos porque faltam Funções Gratificadas. Por isso, compreendemos que a extinção da Biblioteca Setorial do CAL vai ao encontro de uma política da UFSM de desaparelhamento e enfraquecimento das bibliotecas como um todo, inclusive com a falta de servidores/as. Ao contrário, infere-se que um local promotor do saber, como é uma Universidade, deveria investir na qualificação de espaços formativos, como as bibliotecas. A extinção de uma biblioteca setorial pode levar a outras, em um caminho sem volta. Teremos uma única e centralizada biblioteca? Estamos colocando os livros longe dos/as estudantes, justo em uma sociedade em que 44% da população não lê e 30% nunca comprou livros.

Quando falamos em que Universidade queremos, nos referimos não apenas às questões pedagógicas, mas também de gestão. Como extinguir uma biblioteca sem o envolvimento dos/as profissionais da área e um estudo técnico sobre os impactos de sua extinção? E mais: sem a ampla consulta à comunidade atingida? Aqui voltamos a um tema que tem se repetido na atual gestão da UFSM: que Universidade queremos e qual é o conceito de democracia que vivenciamos. Nossa democracia representativa – via conselhos – tem se mostrado falha. É preciso que haja amplo debate sobre as questões que tocam o cotidiano universitário.

Reiteramos que a Universidade que queremos é plural e democrática e, por isso, repudiamos o fechamento da Biblioteca Setorial do CAL. Não queremos a extinção de espaços pedagógicos e culturais, mas, sim, o investimento na ampliação e qualificação destes. Por isso, apelamos aos/às docentes do CAL para que revejam sua posição e defendam a permanência da Biblioteca Setorial. E que os/as demais conselheiros/as do Consu compreendam a importância deste tema e votem contrários/as à extinção. Parafraseando o escritor Monteiro Lobato, um país se faz com homens, mulheres e livros.


Diretoria da Sedufsm

Gestão ‘Renova Sedufsm’.”

 

Arte: Italo de Paula
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)

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