Seminário na UFSM irá debater desigualdades de gênero e raça na carreira docente
Publicada em
24/03/26
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Atividade promovida pela Sedufsm está em sua terceira edição e contará com a participação de pesquisadoras referência nas áreas de gênero e políticas afirmativas
A desigualdade de gênero e raça na carreira docente das universidades federais será tema de debate em Santa Maria no dia 31 de março, durante o seminário “Universidade que Queremos: impactos de gênero e de raça na carreira docente”, promovido pela Sedufsm. O evento ocorre às 19h, no Auditório Wilson Aita, no Centro de Tecnologia da UFSM, com transmissão ao vivo pelo YouTube.
O seminário trará para o debate duas pesquisadoras que são referência nacional nas áreas de políticas afirmativas e desigualdade de gênero na ciência, conectando dados nacionais com a realidade das universidades federais e da própria UFSM: as professoras Ana Luisa Araujo de Oliveira, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), e Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). As duas docentes são integrantes do Comitê Permanente para Equidade de Gênero e suas Interseccionalidades da Capes.
Os dados da desigualdade
A professora Ana Luisa Araujo de Oliveira é coordenadora do Observatório de Políticas Afirmativas Raciais (Opará), responsável por pesquisas que revelam a baixa efetividade da Lei de Cotas no serviço público federal. A análise de cerca de 10 mil editais de 61 órgãos federais mostrou que, de cada mil candidatos negros que deveriam ter tomado posse segundo a Lei 12.990/2014, apenas cinco efetivamente ingressaram na carreira de professor do magistério superior, o que representa apenas 0,53% de efetividade da lei. O relatório também aponta mecanismos que burlam a legislação, como o fracionamento de vagas em vários editais e a não publicidade da obrigatoriedade das cotas.
Na UFSM, os números seguem a mesma tendência. Entre julho de 2014 e junho de 2024, foram abertas 656 vagas para docentes efetivos, mas apenas sete foram ocupadas por cotistas, cerca de 1% do total. Pela legislação vigente à época, que previa 20% de reserva de vagas, o número deveria chegar a aproximadamente 131 docentes.
Já o debate sobre gênero será conduzido, entre outros temas, a partir das pesquisas desenvolvidas pelo movimento Parent in Science, do qual a professora Fernanda Staniscuaski, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é uma das fundadoras. O movimento produz pesquisas sobre os impactos da parentalidade na carreira científica e demonstra como as responsabilidades de cuidado afetam principalmente as mulheres na academia.
Dados do Parent in Science mostram que mais da metade das cientistas mulheres no Brasil são as principais responsáveis pelos cuidados com os filhos. Durante o período pandêmico e pós-pandêmico, 47% das cientistas mulheres com filhos conseguiram submeter artigos planejados antes da pandemia, enquanto entre cientistas homens sem filhos o índice foi de 76%. Entre pesquisadores com filhos de um a seis anos, 28% das mães conseguiram submeter artigos, contra 52% dos pais.
Na UFSM, atualmente há 2.035 docentes ativos, sendo 48,5% mulheres. Apesar da presença equilibrada nas classes iniciais da carreira, a desigualdade aparece nas classes mais altas: na classe de professor associado, as mulheres representam pouco mais de 41% do total de docentes na ativa. Além disso, dados da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas mostram que, em 2024, 31 professoras se afastaram do trabalho por doença de familiar, com média de 38 dias de afastamento, o que impacta diretamente na produção acadêmica e na progressão na carreira.
Rumo à universidade que queremos
“Temos debatido fortemente as questões de gênero e o assédio dentro do Grupo de Trabalho Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS, ligado ao Sindicato Nacional dos Docentes, ANDES-SN) e percebemos que precisávamos ampliar o debate”, afirma a diretora da Sedufsm e uma das coordenadoras do grupo, professora Neila Baldi.
As discussões e contribuições apresentadas durante o evento devem subsidiar proposições da Sedufsm para a UFSM, com o objetivo de promover o debate sobre normativas institucionais relacionadas às questões de gênero e raça na carreira docente e contribuir para a construção de políticas institucionais mais equitativas.
O Seminário Universidade que Queremos chega à sua terceira edição em 2026 e é organizado pela Sedufsm. Em 2025, o evento debateu o futuro da universidade pública, as condições de trabalho de servidoras e servidores e as políticas de assistência estudantil, e contou com a participação da atual reitora da UFRGS, professora Márcia Barbosa.
Seminário Universidade que Queremos: impactos de gênero e de raça na carreira docente
Data: 31 de março de 2026
Horário: 19h
Local: Auditório Wilson Aita – Centro de Tecnologia, UFSM
Transmissão ao vivo: youtube.com/sedufsmandes
Texto: Nathália Costa
Imagem: Italo de Paula
Assessoria de Imprensa Sedufsm
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