I Conferência Internacional encerrou conclamando à unidade contra o fascismo SVG: calendario Publicada em 01/04/26
SVG: atualizacao Atualizada em 01/04/26 14h38m
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Sedufsm participou de atividades que ocorreram em Porto Alegre entre 26 e 29 de março

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Mesa que discutiu feminicídio e transfeminicídio

Foram mais de 100 organizações e movimentos comprometidos com o enfrentamento ao avanço da extrema-direita e à escalada autoritária, que participaram da I Conferência Internacional antifascista e pela soberania dos povos. O evento, com representações de mais de 40 países, e que iniciou na quinta, 26 de março, encerrando no domingo, 29 de março, teve a participação da Sedufsm. Os debates e conferências encerraram com a divulgação da ‘Carta de Porto Alegre’, que conclamou pela “unidade contra o fascismo”.

Pela diretoria da seção sindical, estiveram a vice-presidenta, professora Liane Weber, e o tesoureiro-geral, professor Jadir Lemos. Participaram da conferência representando a base do sindicato, os professores Hugo Blois Filho e José Luiz de Moura Filho.

A programação do evento incluiu conferências e painéis temáticos, construídos de forma plural e participativa, que abordaram temas como o avanço da extrema-direita no mundo, o enfrentamento ao neoliberalismo e ao imperialismo, a solidariedade entre os povos, além de pautas como feminismo, antirracismo, defesa da educação pública, direito à comunicação e combate ao negacionismo climático.

Para Liane e Jadir, a importância de a Sedufsm estar em espaços de resistência, como foi o caso da Conferência, é fundamental por muitos motivos. Mas, o principal, segundo ambos, é que não se pode “fechar os olhos para o fato de que a educação pública é o principal alvo do fascismo. E as universidades públicas estão na mira constante do sistema neoliberalista capitalista, que são antidemocráticos em sua essência”.

Jadir Lemos, que acompanhou o encontro desde a quinta-feira (26), ressalta a presença de delegações estrangeiras diversas, permitindo a troca de experiências, a boa estrutura do evento para as discussões. Também considera relevante a discussão sobre a retomada do Fórum Social Mundial e a consensualização pela construção unitária de ações contra a extrema-direita no mundo, especialmente buscando barrar os avanços do governo de Donald Trump.

Na avaliação dos diretores da Sedufsm, participar da Conferência “foi intenso, complexo, arrebatador e emocionante. A diversidade de conferencistas desencadeou debates amplos sobre a complexidade das artimanhas do fascismo, que permanece entranhado na sociedade. Mas, esse debate também permitiu que pudéssemos discutir as alternativas de combate e resistência, que já estão sendo realizadas em vários lugares do mundo e é preciso falar sobre isso, para que não nos sintamos sós nesta luta”, declararam.

Movimento docente antifascista

A I Conferência contou ainda com atividades autogestionadas, com o objetivo de fortalecer a articulação entre organizações, movimentos sociais, juventudes e militâncias populares. O ANDES-Sindicato Nacional esteve entre as entidades que promoveram debates ao longo do encontro.

No sábado (28), por exemplo, na sede da Secretaria Regional RS do Sindicato Nacional, ocorreram dois debates organizados pelo sindicato. Das 8h30 às 10h30, o tema foi “Feminicídio e Transfeminicídio como resultado do projeto da extrema-direita no Brasil e na América Latina”, que teve a participação das diretoras do ANDES-SN, Letícia Carolina Nascimento e Emanuela Rútila.

Também esteve na programação, o debate “Os ataques imperialistas na Venezuela e os impactos na América Latina”, com Maria da Luz (México) e Osvaldo Coggiola, historiador e diretor do Sindicato Nacional.

O ANDES-SN também apoiou as atividades autogestionadas do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Dentre as discussões, o debate “O papel da comunicação hegemônica a serviço do fascismo”, com a participação do Encarregado de Imprensa e Divulgação do Sindicato Nacional, Diego Marques.

Na avaliação de Liane Weber, alguns temas puxados pelo sindicato são extremamente importantes. “Precisamos falar sobre racismo, falar sobre misoginia, falar sobre a perseguição à autodeterminação dos povos e apontar o dedo, nomeando as atitudes antidemocráticas, porque só assim teremos visibilidade sobre o que está acontecendo”. Para a vice-presidenta da Sedufsm, “estar entre a multidão que luta contra esta forma terrível de opressão, que é o fascismo, nos trouxe ânimo à luta antifascista. Nos entendermos como integrantes deste movimento fortalece a esperança de um mundo melhor, mais justo, mais diverso e mais humano”, finaliza.

Acompanhe abaixo, a íntegra da Carta de Porto Alegre, aprovada no último dia da I Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos, no domingo, 29 de março:

“Reunidos em Porto Alegre – cidade símbolo das lutas internacionais, de importantes tradições e aspirações democráticas – milhares de ativistas de mais de quarenta países dos cinco continentes, celebrando nossa unidade na diversidade, buscando avançar na organização para a resistência e o combate aos variados fascismos, a extrema direita e o imperialismo em sua fase mais agressiva.

Nessa mesma semana, ocorreu o comboio Nuestra America a Cuba, tivemos mais de um milhão de pessoas nas ruas da Argentina, lutando pela memória e contra Milei; houve centenas de milhares na convocação antifascista do Reino Unido e especialmente a grande e histórica manifestação “No Kings” nos Estados Unidos que com milhões de estadunidenses reunidos em centenas de cidades, declarando uma vez mais Trump como inimigo da humanidade.

O sistema capitalista-imperialista vive uma profunda crise e uma acentuada decadência econômica, social e moral. A resposta das potências imperialistas ao seu declínio tem sido o fomento do fascismo em toda parte, a imposição de políticas neoliberais, agressões militares às nações mais fracas e a sua recolonização.

Em cada país, as ameaças fascistas e neoliberais assumem formas particulares, mas têm pontos em comum: a eliminação das liberdades democráticas, a destruição dos direitos trabalhistas, a explosão do desemprego estrutural, o desmantelamento da previdência social, a repressão às entidades sindicais e populares, a privatização dos serviços públicos, políticas de “austeridade” que eliminam todo e qualquer investimento social, o negacionismo científico e climático, a expropriação dos camponeses em benefício da agroindústria, o deslocamento forçado das populações originárias para promover o extrativismo desenfreado, políticas migratórias ultra-restritivas e enorme aumento de despesas militares.

A extrema direita e as forças neofascistas desenvolvem uma ampla ofensiva, que instrumentaliza o descontentamento com as consequências desastrosas do neoliberalismo para acelerar essas políticas. Para isso, à semelhança do fascismo clássico, procuram direcionar esse descontentamento contra os grupos oprimidos e despossuídos: migrantes, mulheres, pessoas LGBTQ+, beneficiários de programas de inclusão, pessoas racializadas e minorias nacionais ou religiosas. O nacionalismo exacerbado, o racismo, a xenofobia, o sexismo, a LGBTQI+fobia, a incitação ao ódio e a banalização da crueldade acompanham o avanço da extrema direita em cada etapa, de acordo com as peculiaridades de cada país.

A vontade de acumular riqueza nas mãos do capital, a busca desenfreada pelo lucro máximo que sustenta as políticas da extrema direita, também se manifesta pela intensificação das agressões imperialistas para monopolizar recursos e explorar populações.

O imperialismo torna-se cada vez mais desenfreado, agressivo e belicista, atropela o Direito Internacional, a Carta da ONU e a autodeterminação dos povos, sanciona, ataca e bombardeia as nações que não se submetem aos seus ditames, sequestra e assassina seus Chefes de Estado.

Isso vai de par com a perpetuação de situações coloniais que no caso da Palestina assume a forma de um genocídio explicito em Gaza, orquestrado pelo Estado sionista de Israel, apoiado incondicionalmente pelos Estados Unidos, com a cumplicidade dos demais países imperialistas. Além disso, Israel acaba de invadir e bombardear de forma criminosa o Líbano e afirma que anexará o sul do país.

Lutamos contra todos os imperialismos e apoiamos a luta dos povos por sua autodeterminação, por todos os meios necessários.

A extrema direita, além da cumplicidade com o governo genocida de Netanyahu, tece laços internacionais, realiza congressos, think tanks, declarações conjuntas, apoio mútuo nos processos eleitorais, colaboração e programas de propaganda e desinformação. Além do apoio direto (ou velado) das chamadas Big Techs, desestabilizando governos que resistem ao império e potencializando a propaganda reacionária nos meios digitais.

As forças que combatem a ascensão da extrema direita são diversas e apresentam diferentes análises, estratégias e táticas, programas e políticas de aliança. A experiência nos ensina que embora reconhecendo essas diferenças, é essencial articular de forma unitária a luta contra os nossos inimigos. Essa convergência deve incluir todas as forças dispostas a defender as classes trabalhadoras, os camponeses, os migrantes, as mulheres, as pessoas LGBTQ+, as pessoas racializadas, as minorias nacionais ou religiosas oprimidas e os povos indígenas; a defender a natureza contra o capitalismo ecocida; a combater as agressões imperialistas e coloniais, independentemente da sua origem; lutar pelo fim da OTAN e a apoiar a luta dos povos e governos que resistem. É urgente compartilhar análises, fortalecer laços e realizar ações concretas

Além de resistir ao fascismo e ao imperialismo, almejamos também construir as bases para avançar, em nossas convergências em aspectos centrais e unitários. Para combater o autoritarismo, é preciso resgatar, ampliar e aprofundar os direitos democráticos com base na participação popular, desde o local até o nacional e nos organismos internacionais. Afirmamos a relevância do mundo do trabalho, propomos impulsionar iniciativas conjuntas para organizar a resistência global contra as violências fascistas e a precarização neoliberal. A defesa de um futuro sustentável passa pelo enfrentamento direto ao ecocídio promovido pelo capitalismo e por governos de extrema direita, que tratam a natureza como mercadoria e desmontam a proteção ambiental em nome do lucro. Destacamos a importância Reforma Agrária como a saída necessária para soberania alimentar.

Nunca como hoje a luta contra o imperialismo e o fascismo foi tão atual e necessária. Essa luta precisa ser articulada internacionalmente. A Conferência Antifascista e pela soberania dos povos compromete-se a continuar a luta sem descanso e como espaço de construção de unidades contra a ascensão da extrema direita e as agressões imperialista. Diante da barbárie, levantamos a bandeira da solidariedade internacional, da luta dos povos e de um futuro socialista, ecológico, democrático, feminista e antirracista.

PROPOMOS:

– O Comitê Internacional, articuladamente com o Comitê e nação local, fica responsável por: organizar o planejamento da próxima Conferência; propor critérios e iniciativas para inclusão de novas organizações.

– Tendo em conta a existência de inúmeras organizações e associações voltadas à luta contra o fascismo e o imperialismo, propomos a constituição de uma mesa de articulação internacional para unificar globalmente essa luta e o incentivo à realização de conferências regionais e nacionais antifascistas e antiimperialistas, com o propósito de realizar uma 2ª Conferência Internacional Antifascista e pela Soberania dos Povos.

– Todas as organizações participantes desta Conferência, desde que não se manifestem em contrário são automaticamente, participes dessa carta.

– Apoiar a construção de uma conferência latino-americana na Argentina, em data e formato a serem propostos pela delegação e organizações argentinas, em diálogo com o comitê internacional.

– Apoiar uma conferência regional na América do Norte envolvendo organizações do México, Estados Unidos, Canadá, Caribe e América Central.

– Apoio a Flotilha Nova Global SumudFlotilha, que novamente busca romper o cerco e denunciar o genocidio de Gaza. A luta do povo Palestino- em Gaza e na Cisjordânia- é a causa da humanidade. Apoiamos a solidariedade ativa materializada em espaços e movimentos como o BDS.

– Solidariedade à Cuba contra o criminoso bloqueio promovido pelos Estados Unidos, ameçada de agressão à sua soberania. Apoio à todas as iniciativas de solidariedade, como foram as recentes iniciativas de flotilha para a ilha.

– Repúdio à invasão da Venezuela e ao sequestro e prisão do presidente Nicolas Maduro e da deputada Cilia Flores e apoio à luta pela sua libertação.

– Repúdio ao ataque militar ao Irã pelos Estados Unidos e Israel. Respeito à autodeterminação do povo iraniano, fim das sanções unilaterais.

– Defesa da independência e autodeterminação e soberania de todos os territórios sob ocupação colonial e imperialistas.

– Denunciar a interferência estrangeira no Haiti, apoiando a luta do seu povo.

– Apoio à luta da Frente Polisário pela independência do Shara Ocidental, direito reconhecido pela ONU.

– Apoio à luta do povo porto-riquenho pela autodeterminação e independência.

– Apoio ao encontro anti-OTAN na Turquia em 2026.

– Apoio a Contra-cúpula do G7 na França e Suíça em junho de 2026.

– Apoiar as iniciativas contra o negacionismo climático, como as jornadas e encontros ecossocialistas que estão se organizando.

– Apoiar e construir o próximo Fórum Social Mundial no Benin, em agosto de 2026.

DERROTAR OS FASCISMOS E O IMPERIALISMO É TAREFA URGENTE DE NOSSA ÉPOCA

Porto Alegre, 29 de março de 2026.”

 

Para mais informações da Conferência, acesse aqui.


Edição de texto: Fritz R. Nunes
Fotos: Eline Luz (ANDES-SN) e arquivo pessoal
Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

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