Sindicato denuncia assédio contra coordenadores de pós-graduação na UFSM SVG: calendario Publicada em 12/06/26
SVG: atualizacao Atualizada em 12/06/26 16h33m
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Sedufsm reúne-se com reitoria na próxima terça, 16, para cobrar providências

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02/06: Sedufsm promove plenária sobre sobrecarga docente e desvio de função

Nos últimos dias, as e os coordenadores de cursos de pós-graduação da UFSM receberam e-mail solicitando que se posicionem sobre a suspensão dos calendários de ingresso vigentes – Edital de Estrangeiros e 2ª janela do Edital Regular.

Assinado pela Pró-reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), o comunicado eletrônico foi enfático ao dizer que as e os professores que estão nas coordenações e solicitassem suspensão de seus cronogramas de ingresso, assumiriam o risco institucional e financeiro pela possível evasão de estudantes e perda de cotas de bolsas. Foi dado prazo até esta sexta-feira, 12 de junho, para manifestação das e dos coordenadores. Para a diretoria e a assessoria jurídica da Sedufsm, trata-se de uma postura institucional assediosa.

O e-mail da Pró-reitoria foi uma resposta a reclamações de coordenadores que, em meio ao cenário de greve das e dos técnico-administrativos em educação, veem-se sobrecarregados com o acúmulo de funções que não são suas. Contudo, ao escrever à categoria elencando as consequências negativas de suspender o calendário e transferindo a ela a responsabilidade por uma decisão que é institucional, o que se conseguiu foi aumentar a revolta.

Heverton Padilha, assessor jurídico da Sedufsm, diz que “sem dúvida alguma se trata de assédio, pois tenta transferir responsabilidade que é da Gestão, para os docentes. A greve dos TAEs não impõe obrigações aos professores, e deve a Gestão atuar nisso e assumir qualquer ônus que possa ocorrer em virtude do gozo do direito de greve pelos servidores”.

Para Neila Baldi, diretora da Sedufsm, a gestão da UFSM está colocando nos ombros das e dos docentes a greve das e dos técnicos.

“Queremos, urgentemente, que a gestão pare de repassar aos/às docentes encargos dos/as técnicos/as. Quando nós estamos em greve, os/as técnicos/as não dão aula no nosso lugar, por que temos que fazer a tarefa deles/as? Isso é urgente em relação à greve, mas há outras questões que são anteriores à greve. Temos uma lista de atividades que configuram desvio e outras, sobrecarga de trabalho”, diz a dirigente.

Ela usa como exemplos a reavaliação sobre as secretarias integradas, implantadas durante a pandemia, e sobre os fluxos de processos que sobrecarregam coordenadores/as e chefias de departamento.

“Também é preciso passar um pente fino na questão dos encargos didáticos: há muitos relatos, sobretudo nas licenciaturas, de encargos de sala de aula altos. Ou seja, vamos apresentar uma lista de problemas hoje enfrentados pelos/as docentes para que possamos pensar em soluções”, explica Neila. Tal apresentação será na próxima terça-feira, 16, às 9h, quando a diretoria da seção sindical se reúne com a reitoria da UFSM para tratar sobre todas as questões acima citadas. O encontro havia sido solicitado desde o dia 22 de maio, porém a confirmação da gestão veio apenas nesta quarta, 10 de junho.

Até a meia-noite na UFSM

Um coordenador que preferiu não se identificar relatou que, inicialmente, foram sendo postergadas as atividades, especialmente aquelas que necessitavam de reunião de colegiado, por não haver quem fizesse as atas. Isso gerou várias decisões ad referendum e processos administrativos acumulados na Caixa Postal do Curso.

“A orientação dos secretários era para não fazermos as atividades da secretaria, caso contrário, a greve não teria efeito. No entanto, com o passar do tempo, os prazos foram chegando ao fim e os órgãos da Reitoria se posicionaram dizendo que os calendários das diversas atividades e dos editais não seriam suspensos pelo motivo da greve dos servidores”, conta o docente.

“Com isso, acabamos acumulando funções tais como, elaboração de atas de colegiado; recebimento, arquivamento e distribuição de documentos e processos relativos às atividades didáticas e administrativas; e atualizações das informações dos programas nos canais públicos de divulgação, atividades de competência das secretarias, segundo o Regulamento Geral da Pós-Graduação da UFSM”, complementa.

Tanta sobrecarga e desgaste levaram o docente a sentir cansaço, dores no corpo, falta de concentração e insônia. Muitas vezes o trabalho é tanto que ele tem de ficar até quase meia-noite na universidade para dar conta.  

O que o professor e outros coordenadores e coordenadoras esperavam da PRPGP era uma atitude bem diferente da que o órgão tomou.

“Esperávamos que a PRPGP tomasse uma decisão de suspensão dos prazos de certas atividades à nível institucional, e, assim, valorizando a greve dos servidores. No entanto, jogou a responsabilidade para cada PPG. Queremos fazer o certo, aguardando o final da greve para dar andamento às atividades administrativas, porém seremos provavelmente penalizados com esses possíveis prejuízos, segundo a PRPGP. Consequentemente, os PPGs acabam se sentindo coagidos a optarem pela manutenção dos calendários. Assim, os(as) coordenadores(as) continuarão assumindo o papel dos secretários nas tarefas administrativas”, argumenta.

Ele avalia que, agindo de tal forma, a PRPGP está passando uma imagem de que os secretários são "dispensáveis", uma vez que as suas atividades podem ser absorvidas pelos(as) Coordenadores(as). “E, com isso, a greve perde o sentido, pois não gera impacto nos serviços administrativos”, conclui.

PPGE decide pelo adiamento 

Em reunião ocorrida na quarta, 11, o Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSM deliberou pela suspensão temporária do processo seletivo de ingresso (mestrado e doutorado), apresentando como justificativas para a decisão o apoio à greve das e dos técnico-administrativos em educação e a falta de condições das e dos docentes para dar conta de tudo o que demanda uma seleção. 

Em nota, que pode ser lida aqui, o Colegiado explica que já havia externado, em e-mail enviado à PRPGP, preocupação com a chegada do processo seletivo e a permanência da greve das e dos TAEs, solicitando que se chegasse a uma solução conjunta para o problema. A esse e-mail, não houve resposta. Contudo, ao final da manhã desta terça, 9, chegou, na caixa de entrada, o comunicado da PRPGP citado anteriormente, ao qual as coordenações deveriam responder dizendo se optariam por suspender - assumindo os riscos - as seleções em seus programas de pós-graduação. 

"Essa condição colocou o Programa em uma situação dificílima, visto que qualquer uma das decisões traz efeitos diretos à comunidade do PPGE. Cabe mencionar, também, que a questão foi levada ao Conselho de CE. A Direção do CE em reunião com a Reitoria (na manhã desta quarta-feira), explicitou a problemática. Como retorno, obtivemos que a decisão (e suas consequências) ficam a cargo do próprio Programa", expressa o Colegiado. 

Leia, abaixo, o e-mail enviado às coordenações de pós-graduação na terça-feira, 9 de maio:

“Diante do atual cenário de greve dos servidores técnico-administrativos em educação (TAEs), alguns PPGs solicitaram à PRPGP a viabilidade de suspensão dos cronogramas dos editais de ingresso vigentes (Edital de Estrangeiros e 2ª janela do Edital Regular).

Destacamos que a eventual suspensão dos calendários de seleção não é apenas um ajuste de datas, mas uma medida com consequências para os PPGs no semestre de 2026/2. Destacamos os dois impactos centrais:

Evasão de Discentes: A suspensão do cronograma de ingresso poderá direcionar os candidatos já inscritos para outras universidades que mantiverem seus processos ativos.

Perda de Cotas de Bolsas: A entrada dos aprovados está prevista para agosto. Diversos PPGs possuem cotas de bolsas com prazo limite de indicação neste mesmo mês. Se o ingresso for postergado e a cota não for ocupada em agosto, a bolsa será sumariamente repassada ao próximo PPG da fila de classificação. A PRPGP não poderá fazer retenção de cota para PPGs com calendário suspenso.

Diante disso, a PRPGP necessita de um posicionamento de cada Coordenação. Solicitamos que respondam a este e-mail até a próxima sexta-feira, 12 de junho de 2026, informando se o PPG solicita a suspensão do seu cronograma de ingresso, declarando estar ciente e assumindo o risco institucional e financeiro da perda de cotas de bolsas previstas para o período. A ausência de resposta dentro do prazo estipulado será interpretada como negativa, e o cronograma de seleção será mantido para o PPG.

A PRPGP publicará uma nota oficial na página do respectivo edital, onde serão listados nominalmente os cursos que optaram pela suspensão de seus cronogramas, a fim de garantir a devida publicidade e transparência aos candidatos inscritos.” 

Desvios de função e sobrecarga já haviam atingido a Graduação 

A situação de sobrecarga de trabalho, advinda do acúmulo de funções - muitas das quais não seriam suas - já havia gerado, ainda no mês de maio, uma movimentação por parte da Sedufsm. Em oito de maio, a diretoria e o Conselho de Representantes da seção sindical encaminharam ofício ao gabinete da Reitora Martha Adaime e à Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UFSM cobrando providências imediatas com relação aos desvios de função impostos às e aos docentes. No documento, o sindicato denunciava a situação de sobrecarga vivenciada pela categoria, que vem assumindo demandas próprias do trabalho das e dos técnico-administrativos em educação, como a inclusão de disciplinas no sistema, tarefa até então executada exclusivamente pelas secretarias dos cursos.

Sobre esses assuntos, a Sedufsm promoveu duas plenárias recentemente: uma, presencial, no dia 2 de junho, e a outra, virtual, no dia 9. 

Na reunião com a reitoria na próxima terça, 16, a diretoria da Sedufsm irá levar uma sistematização de todo o debate realizado com a categoria docente - seja nas plenárias, em e-mails enviados ao sindicato ou em conversas nas universidades de ensino - a respeito da sobrecarga de trabalho e dos desvios de função. Essa sistematização se refere não apenas ao que foi levantado durante as plenárias, mas também a informações encaminhadas à diretoria por e-mail, mensagens de aplicativo e mesmo as ouvidas em diálogo nas Unidades.

Neila Baldi, diretora da Sedufsm, lembra que a direção da Sedufsm iniciou o semestre passando nos Centros e campi, abrindo um canal de diálogo a partir da Blitz 'Seja Sedufsm'. "Essa é uma marca da nossa gestão, acolher. Nos GTs [Grupos de Trabalho] em funcionamento, muitas vezes ouvimos relatos que não eram relativos ao tema do GT, mas de denúncias e desabafos. A partir disso, fizemos a nota de repúdio e planejamos as plenárias. Este movimento criou uma onda de e-mails e mensagens de WhatsApp com mais denúncias,  entre elas a da questão da pós-graduação. Todo esse material está sendo sistematizado para ser entregue à Reitoria. Paralelamente,  estamos vendo com a assessoria jurídica o que é possível fazer", antecipou a dirigente. 

 

Texto: Bruna Homrich

Foto: Nathália Costa 

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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