Sedufsm marcou presença nos três dias da 32ª Feicoop, em Santa Maria SVG: calendario Publicada em 13/07/26
SVG: atualizacao Atualizada em 13/07/26 20h37m
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Sindicato conversou com docentes e comunidade em geral, deixando mensagem de transformação

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O espaço físico reservado à Sedufsm na 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (Feicoop) era de poucos metros, nos quais fora montada uma banquinha com panfletos, blocos, marca páginas e materiais específicos para docentes da UFSM. Mas a presença da seção sindical se expandiu, de diversas formas, para além do espaço ocupado no Pavilhão das Entidades.

Já durante a abertura do evento, na sexta-feira, 10 de julho, o sindicato promoveu a apresentação do espetáculo ‘FÉstividades’, do programa de extensão Mojubá - Danças Populares Brasileiras, coordenado pelo professor Jesse da Cruz. Primeiro como um cortejo musical que percorreu todos os corredores da Feira, chamando feirantes e comunidade visitante para dançar e celebrar a riqueza cultural de nosso país, depois como apresentação no palco principal, o grupo encantou e arrancou aplausos do público.

Durante o sábado, 11, e o domingo, 12, representantes da diretoria também estiveram presentes no evento, panfletando e conversando com diversos professores e professoras, sindicalizados ou não, que lá estavam. Como destacou o presidente da Sedufsm, Everton Picolotto, há alguns anos a entidade comparece à Feicoop por se alinhar com os princípios da Feira. A própria campanha ‘Seja Sedufsm, Transforme o Mundo’ é um convite para ir além da representação sindical e da luta por direitos, batalhando, também, por uma sociedade diferente, permeada pela igualdade, solidariedade e justiça. Neste sentido, a aproximação do sindicato não foi apenas com as e os docentes que circulavam pela Feira, mas com coletivos, movimentos sociais, expositores e comunidade.

“A Feicoop tem a perspectiva de congregar os setores populares, reunindo pessoas que produzem artesanato, alimentos e outros produtos, além de promover debates importantes sob uma perspectiva crítica e transformadora. Muitos dos temas debatidos aqui estão plenamente alinhados às lutas da Sedufsm, especialmente aqueles voltados à transformação da sociedade, à ampliação da inclusão, à criação de oportunidades para os setores populares e à construção de uma economia mais igualitária e solidária”, afirma Picolotto.

Para a 32ª Feicoop, a Sedufsm firmou uma parceria com o Corre Dazarte, coletivo de geração de trabalho e renda que nasceu dentro do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS AD) Cia do Recomeço. Composto essencialmente por pacientes assistidos pelo serviço, o coletivo produziu os marcadores de páginas entregues pela seção sindical docente durante a Feira.

*(da esq.): professor Everton Picolotto, presidente da Sedufsm; Leandro, integrante do Corre Dazarte; e Cleder Fontana, diretor da Sedufsm 

Localizada no Túnel dos Movimentos Sociais, a banquinha do Corre Dazarte no Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter expunha para venda camisetas, ecobags, cadernos e velas perfumadas. Em todas as estampas, dizeres e imagens que remetem à luta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pela saúde mental e contra todas as formas de discriminação, mostrando que o Corre não é apenas um coletivo de geração de renda, mas um grupo que se alinha com tais pautas políticas e manifesta, através de sua arte, a vontade de mudanças.

Macarena Rodrígues, agente territorial de economia popular e solidária, vinculada ao Programa de Formação Paul Singer, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), acompanha o Corre Dazarte desde 2025. Embora seja Engenheira Florestal por formação, com mestrado em Extensão Rural e 12 anos trabalhados em assentamentos de forma agrária, ela é artesã desde pequenina e se apaixonou pelo debate sobre saúde mental. A agente explica que o Corre Dazarte é um coletivo de economia popular e solidária que preza pela autogestão, tendo reuniões semanais para produção, organização e, também, para cuidarem de si e dos outros. 

"Há oficinas ofertadas lá no CAPES que não são de cunho econômico, mas de autocuidado. Por isso dizemos que o Corre é um coletivo de economia popular e solidária, porque são pessoas que se cuidam entre si, que se ajudam, que estão na vida uns dos outros também para se apoiarem nessa luta contra a dependência química. As pessoas vêm de um ciclo de dor e sofrimento e, quando entram (no CAPS primeiro e depois no Corre), começam a se deparar com coisas diferentes do que elas imaginavam. Não é simplesmente um psicólogo que vai lá atendê-las. Elas têm a oportunidade de conviver, aprender e discutir coisas umas com as outras que talvez antes nem pensassem em discutir", comenta Macarena. 

Jonathan Della Flora, outro agente do Programa Paul Singer que atua junto ao Corre Dazarte, comenta que, embora tenha nascido dentro do CAPS Cia do Recomeço, o coletivo também é composto por pessoas que frequentam outros CAPS da cidade, a exemplo do Prado Veppo, Caminhos do Sol e O Equilibrista. Atualmente, o Corre desenvolve atividades semanais continuadas, como oficinas de produção de velas, encadernação e serigrafia. O agente esclarece que o coletivo não é uma política pública, mas uma ideia trazida de forma autônoma por servidoras e servidores do CAPS. 

Dentro do Corre Dazarte, outra iniciativa acontece, o Mulheres no Corre. 

Mulheres no Corre - Rosicler Marques Flores, de 53 anos, é paciente do CAPS AD Cia do Recomeço há cinco anos. Ela, que já tinha problemas com álcool, viu seu vício se intensificar quando sua mãe faleceu. O sofrimento era tanto que a levou a tentar suicídio. Após ser internada no Pronto Atendimento, foi encaminhada ao CAPS, onde foi convidada pelas estagiárias de Psicologia e Terapia Ocupacional para formar um grupo de mulheres.

"O Mulheres no Corre é um braço do Corre Dazarte. Começamos a nos encontrar todas as terças-feiras à tarde. No início, éramos apenas eu e uma menina trans. Fomos gostando e convidando mais mulheres para participar. Percebemos que as mulheres não tinham um espaço só para elas. Hoje nos encontramos para fazer trabalhos manuais como crochê, macramê e bordado. Eu gosto mais do bordado e da costura", diz Rosicler, mostrando, na banca do Corre Dazarte, as bolsas produzidas a partir do reaproveitamento de materiais como os guarda-chuvas. A novidade do coletivo são as veras aromáticas. São duas: uma com cheirinho de maçã e canela; uma com cheirinho de bebê. Para conhecer mais sobre o Corre Dazarte e saber como adquirir os produtos, acesse a página de instagram.

"Eu cheguei no Corre despedaçada, usando 11 tipos diferentes de medicações. Hoje eu só uso três. Tenho liberdade, também, para levar uma acompanhante, que é a minha irmã. Ela participa de todas as oficinas junto comigo. Para mim, no início, foi muito difícil, porque além de eu ser uma trabalhadora da saúde, não me aceitava como doente. Eu sempre dizia que conseguiria parar sozinha. No Corre, a gente se sente mais gente, sabe? Hoje muitas pessoas estiveram aqui [na Feicoop] olhando nosso material. Não compraram, mas é enriquecedor para nós sabermos que as pessoas veem e sabem que a gente existe. Que somos um ser humano, não uma doença, e que conseguimos produzir", partilha Rosicler. 

 

Texto: Bruna Homrich

Fotos: Bruna Homrich e Vilma Ochoa

Assessoria de Imprensa da Sedufsm

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