ANDES-SN divulga a Carta de São Luís
Publicada em
16/07/26
Atualizada em
16/07/26 09h44m
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Documento sintetiza encaminhamentos do 69º Conad
O ANDES-Sindicato Nacional divulgou nesta quarta, 15 de julho, através da Circular nº 287/26, a Carta de São Luís, que resume os encaminhamentos do 69º Conad, que ocorreu de 3 a 5 de julho, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luis (MA). Leia abaixo a íntegra:
"CARTA DE SÃO LUÍS
Entre os dias 3 e 5 de julho, estivemos reunidas(es/os) para a realização do 69º CONAD do ANDES-SN na cidade de São Luís - Maranhão. Terra de grande exuberância com suas dunas e lençóis, com suas cores e sabores e de memórias de lutas e resistências que nos inspiram. Diante de uma conjuntura difícil, que possamos ecoar “GUARNICÊ A LUTA PELA EDUCAÇÃO PÚBLICA NA TERRA DA BALAIADA: contra o imperialismo e a extrema direita”, tema central do nosso CONAD.
Iniciamos o CONAD com uma mesa de saudação de múltiplos movimentos sociais e sindicais que alertam para uma conjuntura de avanço da extrema direita e do capital com seus ataques aos nossos direitos, tão duramente conquistados com muita luta pela classe trabalhadora.
Duas presenças queremos destacar: Jercenilde Silva, da Resex Tauá-Mirim, e Cleilze Ribeiro, do Movimento Quilombola do Maranhão, pois nos lembram que as disputas por terra e territórios forjaram o Maranhão, e que não são os Sarneys ou Murads, que representam essa terra, e sim as(os) herdeiras e herdeiros da Balaiada, resgatadas(os) pela voz potente do poeta do povo, João do Vale, magistralmente interpretado pelo cantor e ator, Vicente de Melo, que nos animou na abertura.
O debate de conjuntura foi marcado pelo reconhecimento de que o momento vivenciado pela América Latina exige nossa atuação firme contra o imperialismo americano, diante do avanço eleitoral da extrema direita em países como Colômbia, Chile, Peru e Argentina. Os ataques a Cuba se intensificam, colocando na ordem do dia a ampliação das nossas ações de solidariedade; daí a importância da participação no 1º de Maio em Cuba, política aprovada em nosso 44º CONGRESSO.
Diante do avanço do imperialismo, nossa resistência se manifesta também nas ações de solidariedade aos países da américa Latina que estão sucumbindo aos projetos da extrema direita pela via eleitoral. Mas também reconhecer a necessidade de apoiarmos ações quando eventos ambientais extremos, como os terremotos ocorridos na Venezuela. Nesse diapasão, aprovamos ajuda ao povo Venezuelano pelo Fundo Único.
A crise do capitalismo é perceptível na atual quadra histórica, especialmente no que se refere à questão ambiental, colocando uma ameaça concreta à nossa existência. Neste sentido, é preciso registrar a importante conquista no ANDES-SN diante da aprovação do TR do GTPAUA, afirmando o ecossocialismo como bandeira, e também a importância de denúncias sobre os impactos socioambientais e contradições do plano nacional de data centers (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter – Redata).
A barbarização social, produto do capital, joga trabalhadoras e trabalhadores para um processo brutal de exploração com a ampliação da precarização, a plataformização que alarga nossas jornadas de trabalho, e a terceirização, marcada pela ausência de direitos históricos do mundo do trabalho.
Como resultado, temos o superendividamento, a exaustão e o adoecimento generalizado da classe trabalhadora, e, nossa categoria da educação não está imune, conforme ficou evidente no aprofundamento da análise da Enquete Nacional: Condições de Trabalho e Saúde Docente, lançada no 1º dia do 69º CONAD.
No Brasil, essa conjuntura de crise do capital e avanço global da direita e da extrema direita, nos desafia a atuarmos com firmeza para impedir esse avanço nas ruas e nas urnas. Torna-se necessário avançar nas mobilizações sociais contra os ataques fascistas, contra a política de austeridade que leva a cortes orçamentários na saúde, na educação e em tantas outras políticas públicas fundamentais, como moradia e reforma agrária, que paulatinamente estão sendo reduzidas. Ainda é imprescindível continuar na luta pela garantia dos direitos da classe trabalhadora e ampliar a pressão para a aprovação do fim da escala 6x1, com redução da jornada para 30 horas, sem redução salarial!
Nessa perspectiva, o 69º CONAD tirou como linha política derrotar no 1º turno das eleições, que ocorrerão nacionalmente e nos estados, as candidaturas da direita e extrema direita!
Atualizamos também nosso plano de lutas para os setores das estaduais, municipais, distrital e federais. Aprovamos a entrada do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação e garantimos uma série de políticas voltadas para as(os) docentes aposentadas e aposentados, além de ações de combate ao feminicídio.
Aprovamos também a criação de uma comissão que se debruçará sobre propostas que visem avançar nas mudanças de formato e metodologia dos eventos organizativos do nosso sindicato, buscando ampliar a participação e fortalecer a construção da nossa política.
Rumaremos para o próximo CONAD, que será sediado pela ADUNICAMP, palco recentes de mobilizações contra os cortes orçamentários, local onde a comunidade acadêmica entrou em greve, tendo o movimento paredista sido composto por docentes, técnico-administrativas(os) e estudantes contra as ações de defesa das privatizações da educação frequentemente sinalizadas pelo governo de Tarcísio de Freitas.
A reação do governador de São Paulo, notoriamente uma gestão da extrema direita, diante da greve estudantil e de docentes em defesa da educação pública, nos demonstra que a cartilha fascista é sempre a mesma: repressão e criminalização dos movimentos em defesa da educação. Não se pode olvidar a repressão brutal com a invasão da reitoria pela PM no Dia das Mães, como ocorrido na USP.
De fato, não se ignora como o setor de educação em todos os níveis no estado de São Paulo têm sido palco de ataques sistemáticos de grupos de extrema direita. Com razão reafirmamos neste CONAD a campanha: Lutar Não é Crime!
Encerramos o 69º CONAD, cujo espaço chama-se Centro Pedagógico Paulo Freire, com o esperançar paulo-freireano que acumulamos em nossos 45 anos de existência, de que os próximos meses serão de lutas, mobilizações, resistências e ações em defesa da educação pública e da democracia, pois as(os) fascistas não passarão!
São Luís, Maranhão, 5 de julho de 2026."
Edição e foto: Fritz R. Nunes
Assessoria de imprensa da Sedufsm
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