Filme resgata papel da mulher na ciência
Publicada em
21/08/26
Atualizada em
21/08/26 09h28m
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Professora Sheila Kocourek indica ‘Radioativo’, sobre Marie Curie
Uma mulher que revolucionou a ciência com o seu trabalho. Assim pode ser descrita a polonesa Marie Sklodowska, mais conhecida por Marie Curie. A trajetória da fabulosa cientista é contada no filme Radioactive, lançado em 2019. Na dica cultural desta sexta-feira, 21, a professora do departamento de Serviço Social, Sheila Kocourek, também atual diretora do Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) da UFSM, sintetiza algumas ideias do longa-metragem e sublinha os motivos pelos quais as pessoas deveriam assisti-lo. Leia a íntegra abaixo.
“Marie Curie
Entre as muitas histórias inspiradoras retratadas pelo cinema, poucas são tão marcantes quanto a de Marie Skłodowska Curie, protagonista do filme Radioactive (2019), dirigido por Marjane Satrapi e estrelado por Rosamund Pike.
Mais do que uma cinebiografia, o filme apresenta a trajetória de uma mulher que revolucionou a ciência em uma época em que o acesso feminino à universidade era profundamente limitado. Nascida em Varsóvia, em 1867, quando a Polônia estava sob domínio do Império Russo, Marie cresceu em uma família de professores e, impedida de ingressar na universidade em seu país por ser mulher, mudou-se para Paris para estudar na Sorbonne. Formou-se em Física e Matemática e iniciou uma carreira que transformaria para sempre a história da ciência.
Ao lado de Pierre Curie, seu companheiro de vida e de pesquisa, dedicou-se ao estudo dos fenômenos da radiação. A partir das descobertas iniciais de Henri Becquerel, identificou dois novos elementos químicos — polônio, em homenagem à sua terra natal, e rádio — e cunhou o termo radioatividade, inaugurando um novo campo de investigação científica.
O reconhecimento internacional veio em 1903, quando se tornou a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, dividindo o Nobel de Física com Pierre Curie e Henri Becquerel. Em 1911, recebeu o Nobel de Química por suas pesquisas sobre o rádio e o polônio, tornando-se, até hoje, a única pessoa laureada com dois Prêmios Nobel em áreas científicas diferentes: Física e Química.
Sua trajetória acadêmica também foi pioneira. Após a morte de Pierre Curie, assumiu sua cátedra na Universidade de Paris, tornando-se a primeira mulher professora da Sorbonne. Em 1909, liderou a criação do Institut du Radium, fruto da parceria entre a Universidade de Paris e o Instituto Pasteur, reunindo físicos, químicos, médicos e biólogos em torno de um mesmo propósito: transformar descobertas científicas em avanços para a saúde. Esse modelo interdisciplinar deu origem ao atual Institut Curie, referência mundial na pesquisa e no tratamento do câncer.
Marie Curie compreendeu muito cedo que a ciência deveria produzir benefícios concretos para a sociedade. Seus estudos abriram caminho para o desenvolvimento da radioterapia, tratamento que permanece fundamental no combate ao câncer. Durante a Primeira Guerra Mundial, organizou unidades móveis equipadas com aparelhos de raios X — as famosas Petites Curies — que permitiram diagnosticar ferimentos com maior precisão e salvar milhares de vidas nos campos de batalha.
Sua atuação também foi marcada por um profundo compromisso ético. Recusou patentear seus métodos de pesquisa, por acreditar que o conhecimento científico deveria ser compartilhado em benefício da humanidade. Defendia a cooperação internacional entre pesquisadores e participou da Comissão Internacional para a Cooperação Intelectual da Liga das Nações, incentivando o diálogo entre cientistas de diferentes países.
Entretanto, sua extraordinária dedicação teve um custo elevado. Em uma época em que os riscos da radiação ainda eram desconhecidos, Marie manipulou materiais radioativos durante décadas sem proteção adequada. Faleceu em 1934 em decorrência dessa exposição. Ainda hoje, seus cadernos de laboratório permanecem radioativos e são conservados sob protocolos especiais de segurança.
Ao longo de sua vida, Marie Curie rompeu inúmeras barreiras impostas às mulheres na ciência. Foi a primeira mulher a receber um Nobel, a primeira professora da Sorbonne, integrou a Academia Francesa de Medicina e, em 1995, tornou-se a primeira mulher a ser sepultada no Panthéon de Paris por seus próprios méritos científicos.
Mais do que narrar a trajetória de uma cientista extraordinária, Radioactive convida à reflexão sobre o papel da universidade, da pesquisa e da ciência como instrumentos de transformação social. Em tempos em que o conhecimento científico é constantemente desafiado, a história de Marie Curie permanece atual ao lembrar que ensinar, pesquisar e compartilhar conhecimento são formas concretas de promover o progresso, aliviar o sofrimento humano e construir uma sociedade melhor.

Sheila Kocourek
Professora do departamento de Serviço Social, diretora do CCSH/UFSM
Resumo
Dica: Filme “Radioactive”
Ano: 2019
Duração: 1h43min
Onde assistir: Netflix e Amazon Prime Video.
Imagem: Montagem Italo de Paula
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)
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