O manifesto antiguerra do Pink Floyd
Publicada em
18/09/26
Atualizada em
18/09/26 09h54m
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Professor Luiz Carlos da Rosa e as inspirações do álbum ‘The Final Cut’
Em março de 1983, a banda inglesa Pink Floyd lançava o álbum (LP) “The Final Cut”, com 12 músicas que expressavam sentimentos antiguerra. A inspiração do principal letrista da banda, Roger Waters, tinha sido o conflito recente entre Inglaterra e Argentina pela disputa das ilhas Malvina (Falklands). Esse disco é a dica cultural desta sexta, 18, sugerida pelo professor Luiz Carlos Nascimento da Rosa, que ressalta como arte e política se misturam em alguns momentos, proporcionando belas audições e reflexões.
“Arte e política
O álbum da banda inglesa Pink Floyd The Final Cut foi lançado em 1983 como uma crítica ao conflito bélico entre Argentina e Inglaterra. A guerra teve como pretexto a tomada, pela Argentina, das Ilhas Malvinas (ocorrido em 1982).
Vale lembrar que o presidente argentino era o sanguinário Ditador, General Leopoldo Galtieri. O seu despótico governo estava em frangalhos e para tentar salvá-lo mandou soldados para morrerem de frio, enquanto soldados ingleses usavam roupas térmicas e armas qualificadas e potentes.
Segundo Roger Waters, um dos integrantes do Pink Floyd, as músicas desse álbum são lembranças de seu pai, que traiu a liberdade, lutando na Segunda Guerra Mundial. Vamos lembrar que o Roger Waters sempre foi um pacifista. Segundo a historiografia, as músicas seriam preparadas para o filme ‘The Wall’.
Toda a produção estética que Roger Waters produziu foi uma unidade dialética entre a realidade social e uma crítica política.
Como todo grande projeto poético, Roger Waters, faz uso de metáforas muito bem escolhidas e muito bem colocadas.

Roger Waters é um artista que expõe os grandes paradoxos da vida submersa no desejo do Capital e dos meandros da sociedade das trocas. A Arte é uma mediadora de produção da consciência humana.
A fissura na banda Pink Floyd se dá por diferentes visões entre Roger Waters e David Gilmour. Gilmour, um existencialista (maravilhoso) e Waters um militante em defesa das transformações sociais. Eu, filosoficamente, lembro das indisposições e separação de Jean Paul Sartre e Albert Camus. Sartre, um militante, e Camus um intelectual sem prática política.
Assim como ‘The Final Cut’, a linguagem musical, da Arte, pode e deve denunciar uma sangrenta guerra, que déspotas podem produzir pelos seus desejos egoístas a qualquer preço.
Em 1969, para retirar o estigma ideológico do Psicodelismo, o Pink Floyd caminha no chamado ‘Rock Progressivo’.
Para lavar minha alma musical, quero jogar oferendas no Oráculo de David Gilmour, pois sua poesia e solo de guitarra são mensagens dos Deuses da Música.
Com Roger Waters e David Gilmour podemos entender que entre Política e Psicanálise existe um átimo de tempo. Na Arte essas razões são possíveis.”
Para assistir o clipe com a música ‘The Final Cut’, clique aqui.

Luiz Carlos Nascimento da Rosa
Professor aposentado do Centro de Educação da UFSM.
Imagens: Montagem de Italo de Paula
Edição: Fritz R. Nunes (Sedufsm)
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