Comunidade da UFSM se mobiliza para impedir retrocesso democrático
Publicada em
09/10/26
Atualizada em
09/10/26 20h39m
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Plenária emergencial em defesa das universidades e da democracia ocorreu nesta quinta, 8 de outubro
O pátio da Casa Clóvis Guterres, espaço da Sedufsm em Camobi, foi ocupado, na tarde da última quinta-feira, 8 de outubro, por docentes das mais variadas unidades de ensino da UFSM, além de estudantes e técnico-administrativos em educação, que se reuniram para discutir ações de enfrentamento ao colapso representado por uma possível vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições.
Colapso em todos os sentidos que a palavra compreende, mas em especial na universidade, com a asfixia orçamentária proveniente da transferência da responsabilidade pelas universidades do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI); com o fim das Ações Afirmativas que hoje democratizam o acesso ao ensino superior público; com o desmantelamento das políticas de assistência estudantil, que garantem a permanência das e dos estudantes na universidade; com a brutal desigualdade de investimento entre os cursos, pois se priorizará aqueles que produzem pesquisa para o mercado; com o congelamento de salários do funcionalismo público e com a fragilização ou fim da estabilidade.
Mas se engana quem acha que só perde quem está na universidade. Os ataques aos serviços públicos, em especial à saúde, foram muito destacados pelos participantes da Plenária, que demonstraram consternação com os anúncios de cortes já feitos pelo candidato do PL. Da mesma forma, a possibilidade de desassociar o reajuste das aposentadorias do reajuste do salário mínimo também foi citado como uma medida nefasta que empurrará para a pobreza as aposentadas e os aposentados brasileiros.
Everton Picolotto, presidente da Sedufsm, disse que todos e todas na universidade estão muito preocupados com a decisão que vai ser tomada no segundo turno das eleições, agendado para 25 de outubro, no qual se enfrentam os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). "Esses sentimentos de insatisfação, insegurança e preocupação foram trazidos por várias pessoas presentes à plenária. É necessário que a gente converse com a nossa comunidade universitária - nossos estudantes, professores, técnicos -, mas também com a própria comunidade, sobre aquilo que se pode perder caso ganhe um governo que quer reduzir o tamanho da universidade, acabar com algumas políticas importantes, como a das ações afirmativas, e fragilizar a assistência estudantil. Vamos tomar algumas iniciativas como Sedufsm e outras em parceria com sindicatos e movimentos sociais, para contribuir com esse debate público, a fim de que tomemos a melhor decisão no dia 25 de outubro", projetou o dirigente.
Uma dessas ações será a solicitação para a reitoria da UFSM antecipar o dia não letivo referente ao Dia do Servidor, em 28 de outubro, para a segunda-feira, 26 de outubro, visando oportunizar que estudantes e servidores(as) de fora de Santa Maria se desloquem até suas cidades natais e votem com tranquilidade no domingo, 25.
Essa medida assume uma importância ainda maior quando se vê que 33 milhões de brasileiros e brasileiras (21,08%) não foram votar no primeiro turno. Ascísio Pereira, diretor do Centro de Educação, lembrou que, em Santa Maria, o índice de abstenção foi de 23,69%, superior ao registrado nacionalmente. Isso mostra que há uma parcela nada desprezível de pessoas que podem estar abertas ao diálogo e à sensibilização a respeito de todos os direitos que podemos perder se Flávio Bolsonaro vencer esse pleito. "A polarização é entre a barbárie e a civilização moderna burguesa", complementou o professor.
Dirigentes da Assufsm, sindicato que representa as e os técnico-administrativos em educação da UFSM, e do Sinasefe, que representa docentes e técnicos do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), estiveram também presentes na plenária da quinta-feira e ressaltaram os ganhos que suas categorias obtiveram durante o governo Lula. Embora há muito a ser corrigido e efetivado, eles obtiveram a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e recomposição salarial. "Ficamos 7 anos sem aumento. Trabalho numa secretaria em que faltava dinheiro para pagar conta de luz. Precisamos mostrar a diferença entre os governos de Lula e de Bolsonaro e Temer, conversar com os aposentados que não foram votar e lembrar que a falta de reajuste para os servidores impacta negativamente na economia da cidade", disse Guilherme Elwanger, coordenador-geral da Assufsm.
Ações de mobilização junto não apenas à comunidade acadêmica, mas a toda comunidade foram encaminhadas. Conversas francas com quem está à nossa volta, visitas a bairros da cidade, sensibilização das pessoas que usam os serviços do Hospital Universitário de Santa Maria e atos de rua estão entre as atividades.
Texto e foto: Bruna Homrich
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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