Moeda social testada na 32ª Feicoop faz dinheiro circular entre empreendimentos da economia solidária
Publicada em
17/07/26
Atualizada em
17/07/26 15h43m
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Professora Rita Pauli, da UFSM, integra o 'Promover', projeto de extensão da UFSM que esteve à frente da iniciativa
A professora Rita Pauli, do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM, esteve à frente de um dos projetos mais inovadores da 32ª Feira Internacional do Cooperativismo e da Economia Solidária (Feicoop), ocorrida de 10 a 12 de julho, em Santa Maria. Trata-se da moeda social, iniciativa que não é nova nacionalmente, mas foi implantada pela primeira vez, na forma de projeto piloto, durante o evento do último fim de semana.
Na prática, a moeda social da Feicoop era um dinheiro próprio que podia ser usado especificamente para compras dentro da Feira, mediante cadastro de biometria da palma da mão. O saldo podia ser adicionado via Pix ou dinheiro e, como incentivo à adoção à moeda, a pessoa recebia uma espécie de bônus de 20% sobre o valor cadastrado. Neste primeiro momento, os créditos eram utilizados apenas nas tendas da praça de alimentação, mas a docente adianta que a ideia é ampliar a iniciativa nas próximas edições.
“A moeda social permite que você retenha mais recursos nas localidades. E quando isso ocorre dentro da economia solidária, amplifica a renda daqueles que utilizam a moeda. Queremos, no ano que vem, já instituir de verdade a moeda social em Santa Maria, pois, se tu consegue desenvolver de uma forma bem avançada a moeda, daqui a pouco pode até ter um fundo de crédito para os empreendimentos. Isso é extremamente importante, porque um pequeno nunca tem acesso a crédito bancário, por exemplo. Além disso, a inadimplência no sistema financeiro convencional é bem elevada. Hoje os estudos mostram que os que contraem recursos em moeda social para esses financiamentos têm uma inadimplência menor, porque as pessoas se conhecem dentro de uma localidade, então funciona muito bem", explica Rita, que coordena o projeto de Extensão da UFSM denominado Promover, responsável pela elaboração da proposta de moeda social nesta Feicoop.
A docente explica que o projeto de Extensão recebeu recursos do governo federal, via Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD), para fomentar projetos que reduzam as desigualdades e melhorem a renda das famílias em Santa Maria. Assim surgiu a ideia de replicar localmente a ideia de moeda social, entendendo-a como uma tecnologia social criada de baixo para cima, a partir das necessidades de seus beneficiários.
O Promover foi aprovado no final do ano passado e começou a operar em fevereiro deste ano na UFSM. É composto por docentes da universidade, agentes comunitários, lideranças locais, estudantes e bolsistas.
"É um projeto muito bem delineado, que trabalha com várias frentes. Uma delas é a agricultura urbana e periurbana, como hortas comunitárias, hortas escolares, etc. Nós temos, também, um diálogo com as prefeituras para melhorarmos essas questões e garantirmos geração de renda e viabilidade dos empreendimentos de economia solidária. A gente quer promover segurança alimentar e nutricional, gerar mais renda e melhorar a vida dessas famílias", diz Rita Pauli.
Durante a 32ª Feicoop, o projeto Promover, além de instituir a moeda social, realizou o Seminário de Agricultura Urbana e Periurbana (AUP), com palestras ministradas por Juliana Torquato Luiz, do Coletivo Nacional de Agricultura Urbana (CNAU); Joaquim Melo, fundador do Banco Palmas; e Raphael Dantas, da plataforma e-Dinheiro Brasil.
A Sedufsm participou da Feira nos dias 10, 11 e 12 de julho, montando banca com materiais, promovendo apresentações culturais e dialogando com a comunidade. Leia aqui.
Texto e foto: Bruna Homrich
Assessoria de Imprensa da Sedufsm
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