Ciclo infinito de ódio SVG: calendario Publicada em 16/11/2023 SVG: views 2955 Visualizações

“La muerte de la empatía humana es uno de los primeiros y más reveladores signos de una cultura a punto de caer en la barbárie”. (Hannah Arendt)

A guerra de narrativas, a guerra de propaganda é um componente indissociável da História das guerras. Assemelha-se ao dramático universo shakespeariano em que o cinismo, a hipocrisia, as dores, as tramas, as intrigas, as urdiduras e disputas pelo poder, a maldade humana, quem começou, quem sofreu mais e outros aspectos desfilam aos nossos olhos incrédulos.

A guerra entre Israel e o grupo extremista Hamas deixou 11.352 mortos confirmados até 05 de novembro. Foram 9.922 vítimas palestinas e 1.430 israelenses. Os dados foram compilados pela agência de notícias Al Jazeera (emissora estatal da monarquia do Qatar).

De fato, estamos presenciando um espiral, um ciclo infinito de ódio.

A forma brutal, macabra, ardilosa e sanguinária em que mulheres e crianças israelenses foram assassinados chocou o mundo. Lembrando que Israel é um país pequeno (22.145 km). Aproximadamente do tamanho do estado de Sergipe. Portanto, é bem provável que boa parte da população israelense tenha perdido algum familiar, algum amigo, algum vizinho, ou seja, alguém conhecido.

Nesse sentido, inebriados pelo sentimento de vingança e retaliação, a ação militar de Israel provoca a catarse.

Aristóteles emprega esse termo a propósito da tragédia no teatro, por analogia com as cerimônias iniciáticas de purificação, para designar a purgação das paixões operada através da arte (especialmente através da tragédia), fornecendo-lhes um objeto fictício de descarga. não admira que a Israel e seus apoiadores recorram imediatamente à história, literatura e textos religiosos na tentativa de dar sentido ao que está realizando.

Portanto, após a selvageria e barbárie do Hamas, o reflexo legítimo do Estado israelense seria, em nome de sua honra, contra-atacar. E o contra-ataque já começou e não deve cessar.

Fechou-se um cerco à Faixa de Gaza. Privou-se a todos de água, gás e eletricidade. Bombardeou-se edifícios, praças e ruas. Tudo isso antecipando um confronto anunciado terrestre para caçar até o último homem dos radicais do Hamas. A ONU já denunciou corpos em decomposição em Gaza e mais de 100 mil casas atingidas.

O esforço diplomático brasileiro foi em vão. Analistas apontam que um cessar fogo e o fim das hostilidades levaria à queda de Netanyahu. Não há dúvida de que os extremos só permanecem (e se justificam) num cenário crítico e polarizado.

No final das contas, como disse o professor Daniel Afonso da Silva: “ninguém consegue presumir o devir de tudo isso. Mas uma coisa é certa: se a superação das ilusões das certezas ocidentais não for, logo, realizada, seguir-se-á nessa onda de tragédias e estupefação sem fim. Como que se brincando com fogo, banalizando-se o mal. Sem um reposicionamento do Ocidente, dos ocidentais, europeus e norte-americanos, no cenário mundial, uma nova história vai ter fim. Mas, dessa vez, talvez, o seu último”.

 

Sobre o(a) autor(a)

SVG: autor Por José Renato Ferraz da Silveira
Professor do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM

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