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27/03/2020   27/03/20 12h01 | A+ A- | 342 visualizações

Medidas do governo são insuficientes para barrar a crise, diz economista

Professor Ricardo Rondinel afirma que ações tomadas até agora foram “medrosas”


Plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta (26), auxílio emergencial a trabalhadores

No que se refere à política monetária o governo federal agiu rápido para conter possíveis efeitos gerados pela pandemia do coronavírus. Foi anunciada a liberação de recursos na ordem de R$ 1,2 trilhão, o que equivale a 16,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Entretanto, para atender a população mais vulnerável, que ficará sem emprego, ou sem fonte de renda como no caso dos trabalhadores informais, e também para combater a doença, a equipe Jair Bolsonaro/Paulo Guedes anunciou a aplicação de R$ 170 bilhões, equivalente a 2.3% do PIB. Essas medidas são insuficientes e mostram uma reação medrosa por parte do governo federal, em um momento em que o próprio Congresso Nacional já o autorizou a gastar fora dos limites fiscais antes estabelecido. A avaliação é do professor Ricardo Rondinel, do departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM.

Em depoimento à assessoria de imprensa da Sedufsm, o economista também falou sobre propostas que foram ventiladas, algumas já em tramitação, que propõem redução de jornada de trabalho com proporcional redução salarial. Para Rondinel, esse tipo de medida, se implementada, vai jogar todo o peso da crise sobre os trabalhadores do setor formal da economia. E ressalta: “se há uma crise, esta crise não é culpa do trabalhador. Trata-se de uma pandemia global, que vem do exterior. A paralisação da produção é para evitar mortes de brasileiros. Logo, cabe ao Estado assumir seu papel. Não vai ser o mercado que vai resolver isso”.

Perguntado se as medidas tomadas até agora pelo governo são suficientes, o professor respondeu que são insuficientes e lentas. Na avaliação de Rondinel, a ajuda econômica aos trabalhadores informais, inicialmente de R$ 200 divulgada pelo governo, e aumentada para R$ 500 pela Câmara dos Deputados, e com o governo ampliando para R$ 600 já deveria estar chegando a quem precisa. Todavia, o economista explica que essa lentidão tem a ver com as disputas de grupos de poder dentro do governo federal.

Acompanhe a seguir a íntegra da entrevista com o professor Ricardo Rondinel.

Pergunta- O que se observa, em nível mundial, é que a crise econômica a partir da parada de empresas e indústrias, com o objetivo de conter a pandemia do coronavírus, é avassaladora. No caso dos EUA, fala-se que seria a pior crise desde a Segunda Guerra Mundial. No Brasil, o crescimento em 2020, conforme o governo, será perto de zero, mas há economistas que falam em crescimento negativo. Como analisas a reação do governo brasileiro comparado a outros governos, como nos Estados Unidos, França, Alemanha?

Resposta- O governo brasileiro reagiu rapidamente no que se refere ao lado monetário da economia. O Banco Central anunciou um conjunto de medidas de liberação de liquidez ao sistema financeiro, num total de R$ 1,2 trilhão, o que equivale a 16,7% do PIB. Na crise de 2008, a liberação de recursos foi equivalente a 3,5% do PIB. Ainda estão em estudo medidas para liberação de novos créditos para pequenas e médias empresas. No lado fiscal da economia, estão sendo proposto a aplicação de R$ 170 bilhões, o que equivale a 2,3% do PIB, para a população vulnerável, para manter empregos e para combate a pandemia.

As medidas anunciadas pelo governo brasileiro são insuficientes para o enfrentamento da crise econômica gerada para decisão de isolamento da população para evitar o pico de contaminação do coronavirus. As empresas não podem produzir, os trabalhadores não podem ir ao serviço. Haverá diminuição da produção industrial e do comércio. Em consequência disto haverá aumento do desemprego. Trabalhadores informais não têm como sobreviver. A reação do governo tem sido muito tímida e medrosa. O senado federal já aprovou o a ocorrência do estado de calamidade pública. Com isso o governo está dispensado de cumprir a meta fiscal de 2020. Ou seja, pode gastar mais. Não gasta porque não quer.    

Pergunta- Uma das questões que têm sido aventadas pelo governo brasileiro é a redução de salário e jornada de trabalho para supostamente evitar demissão em massa, tanto no setor privado como no setor público. Como avalias esse tipo de proposta?

Resposta- Essa medida se implementada vai jogar todo o peso da crise sobre os trabalhadores do setor formal da economia. Se há uma crise, esta crise não é culpa do trabalhador. Trata-se de uma pandemia global, que vem do exterior. A paralisação da produção é para evitar mortes de brasileiros. Logo cabe ao Estado assumir seu papel. Não vai ser o mercado que vai resolver isso. O grande dilema do governo é que ele acredita que os problemas que existem na economia brasileira são decorrentes de um “excesso de demanda”, o que provocaria o déficit público. E para resolver esse déficit tem que cortar gastos. Por isso, foi aprovada a emenda constitucional de teto nos gastos públicos. E agora, como o senado autorizou o não cumprimento das metas fiscais, o governo pode gastar. De onde vai sair o dinheiro? Como não se pode cobrar mais impostos, tem que aumentar a dívida pública. Não tem outra medida. Logo, a proposta de redução salarial, vai deprimir ainda mais a demanda da economia. Tem que manter os salários para evitar o fechamento de empregos no setor privado e sustentar demanda, o que incentivar a oferta de bens.

Pergunta- Na sua avaliação, as medidas anunciadas até o momento pelo governo brasileiro, com o objetivo de combater a crise são suficientes?

Resposta- No lado monetário, neste momento, são suficientes. No lado fiscal são insuficientes e muito lentas. A lentidão tem a ver com a posição do presidente Bolsonaro que insiste no confinamento vertical e não horizontal. Como o governo federal tem uma disputa interna, entre grupos de poder, as políticas fiscais não andam. A esta altura já deveriam ter distribuídos os R$ 200,00 para os trabalhadores autônomos, que agora se transformaram em R$ 600,00 após a intervenção da Câmara Federal, que criou o “voucher coronavirus”. Se não forem tomadas medidas urgentes de ajuda à população informal, vai ter revolta da população, aumento da violência, sobretudo nas periferias das cidades.


Texto: Fritz R. Nunes

Fotos: Agência Câmara e Arquivo/Sedufsm

Assessoria de imprensa da Sedufsm



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