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23/10/2020   23/10/20 15h35 | A+ A- | 277 visualizações

Dica cultural: professor resgata bandas gaúchas de rock progressivo

Gérson Werlang cita influências de grupos como Cheiro de Vida e Quintal de Clorofila


Banda porto-alegrense 'Cheiro de vida'

Sextou na quarentena! Nesta sexta, 23, a dica cultural vem do professor Gérson Werlang, do curso de Música e do programa de pós-graduação em Letras, ambos da UFSM. Além da docência, Werlang é conhecido também, pelas gerações mais maduras, por liderar a banda de rock Poços & Nuvens, fundada em Santa Maria, em 1996, e caracterizada pela composição de músicas que mesclam rock, mpb, jazz, erudita e folclórica.

Em sua resenha, o professor destaca as bandas que o influenciaram, ressaltando que, apesar do que muitos pensariam, o rock progressivo que lhe fazia a cabeça na adolescência/juventude, não eram exatamente famosas como Yes e Pink Floyd, mas sim, várias gaúchas, entre elas, a santa-mariense Quintal de Clorofila. Todavia, frisa que a mais importante inspiração foi dos porto-alegrenses do ‘Cheiro de vida’. Boa leitura, inclusive com indicação de videoclipe.

“CHEIRO DE VIDA

Como sou músico, às vezes me perguntam quais são as bandas/artistas que mais me influenciaram. Como sou muito ligado ao rock progressivo, percebo que esperam que eu responda citando alguma das grandes bandas do estilo, como Pink Floyd, Yes, ou King Crimson.

Assim, é fácil perceber a quase decepção quando respondo que alguns dos artistas que mais me influenciaram estão próximos, geograficamente falando. Gente como os santa-marienses do Quintal de Clorofila, ou os porto-alegrenses do Raiz de Pedra, ou bandas brazucas dos anos setenta, como O Terço ou Som Nosso de Cada Dia.

De todos esses grupos, um dos mais importantes para mim é o ‘Cheiro de Vida’ (clipe logo abaixo), banda de Porto Alegre, formada no início dos anos oitenta do século passado. O Cheiro de Vida transitava, estilisticamente, entre o jazz rock e o rock progressivo, tocando música totalmente instrumental. As músicas eram de inspiração variada, desde a lírica Asas Longas, até a festiva Tema do Bonder; da impressionista Crepúsculo, à pictórica Hieronymus Bosch (sim, a música instrumental pode conter essas sutilezas temáticas e muito mais).  


A banda era formada por dois guitarristas (Paulo Supekóvia e Carlos Martau), baixo (André Gomes) e bateria (Alexandre Fonseca). Todos excelentes instrumentistas, sendo que André Gomes foi um dos maiores baixistas que já vi tocar. As ressonâncias ecológicas do nome do grupo estavam presentes em sua música, e também a vivência oriental e mística. Nisso, colaborava o domínio do baixista André Gomes de um instrumento indiano, o sítar, o que trazia a sonoridade da música indiana para dentro da já rica música do Cheiro de Vida.

Tive o prazer de assisti-los ao vivo duas vezes, uma em Santa Maria, no Avenida Tênis clube, junto com o Quintal de Clorofila, onde a filosofia dos dois grupos pôde se unir, gerando o melhor de ambos (um pouco de eletricidade no som do Quintal, um pouco de bucolismo acústico no Cheiro de Vida). Foi uma experiência seminal para alguém que, como eu, recém havia entrado na adolescência e estava com as antenas ligadas para receber todas as influências do mundo.

Tanto que um ano depois, lá por 1984, eu arrisquei uma viagem a Porto Alegre apenas para vê-los. Lembro de ter ido a pé da Independência até o lado do estádio do Internacional, onde haviam montado um pequeno circo que recebia shows, uma moda daquele período, e naquela noite longínqua assisti a mais um show extasiante da banda, que incorporara recentemente um tecladista, o também excelente Dudu Trentin, gaúcho de Marau, e que eu reencontraria anos depois em uma masterclass em Passo Fundo, em uma de suas visitas à sua região natal.

Depois daquele show em 1984, eles logo partiriam para o Rio, nessa sina provinciana, hoje um tanto démodé, que sempre assolou os gaúchos. Iam para tornar-se a banda de apoio de Kleiton e Kledir. Produziram bastante, acompanhando muita gente boa, mas de seu mesmo, só gravariam mais um disco, já como trio. Tendo perdido Paulinho Supekóvia, que decidiu voltar ao sul, tentando curar a dita sina, e também Dudu Trentin, irremediavelmente introduzido à vida musical carioca, o grupo se reinventou com os três elementos restantes e sem que houvesse um fim oficial, os planos foram se prolongando mas nunca se concretizando, e da banda já quase não se ouve falar.

Paulinho, em sua volta ao sul, tornou-se guitarrista de Nei Lisboa, e continuaria uma interessante carreira solo, em muitos aspectos próximo da sonoridade do Cheiro de Vida. Perdi a pista deles, mas sempre espero que algum dia me surpreendam com um novo disco. Aliás, minha música preferida deles nunca entrou em nenhum disco oficial, só a conheço dos shows, e se chama Barra Pesada. Feita nos anos oitenta, hoje soa como uma premonição, uma trilha sonora perfeita para esses tempos difíceis e sombrios.”


Gérson Werlang

Professor do departamento de Música e do PPG de Letras- UFSM

 

Edição: Fritz R. Nunes

Imagem: Arquivo pessoal e Facebook

Assessoria de imprensa da Sedufsm

 

           

           

 



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Comentários



Luiz Carlos Nascimento da Rosa disse...

Dia 23/10/20 às 19:43

Falar sobre Arte e, nesse contexto, a linguagem da Música é um privilégio de poucos no mundo de sua vulgarização. A Música faz o ser humano entrar em contato com diferentes instantes da experiência Estética. Parabéns ao autor, seu aprimorado prazer e o quê nos transmite em seu delicioso texto.



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